REQUIÃO -
Paraná Livre de Acidentes
Governador do Paraná empenhado por oferecer à
população um Paraná livre de
acidentes
(*) Luiz Salvador

Roberto Requião, Governador do
Paraná. |
As estatísticas têm apontado: O
Brasil como campeão de acidentes e o Estado do
Paraná em quarto lugar:
"O Delegado do Trabalho do Paraná, Dr. Geraldo Serathiuk,
fez um relato assombroso do quadro trágico dos acidentados
no trabalho em nosso Estado, esclarecendo que dos 642 acidentes
registrados pela DRT, 348 ocorreram só no setor de
armação. Na montagem, foram mais 156 acidentes. No
setor de pintura, outros 65. E no da estamparia, 37 acidentes de
trabalho. Serathiuk ainda denunciou que o trabalhador às
vezes é demitido tão logo comece a dar sinais de
que tem uma doença ocupacional". |
No mesmo sentido, também se encontra publicado no
sítio de internet da JUTRA - Associação
Luso-Brasileira de Juristas do Trabalho (www.jutra.org), artigo
intitulado "EXEMPLO A SER SEGUIDO - Constituída
força-tarefa tripartite para diagnóstico das causas
acidentárias no Paraná":
"Já do conhecimento de todos que no dia 28.10.05
(segunda-feira) realizou-se no Palácio do Iguaçu
reunião com a presença das montadoras, onde foram
discutidas as causas apontadas de tantos acidentes e
doenças ocujpacionais, tornando o Paraná o 4º
colocado no ranking dos Estados que mais causam acidentes,
mutilando trabalhadores".
http://www.fazer.com.br/layouts/jutra/default2.asp?cod_materia=1750
Diante desse quadro de verdadeira tragédia nacional e em
tomando conhecimento de que grande parte desses acidentes
estão ocorrendo dentro do chão de fábrica
das montadoras instaladas no Paraná e que receberam do
governo anterior Jaime Lerner excepcionais benefícios e
isenções fiscais, aliados aos gastos
públicos com a construção de infra-estrutura
que foram exigidas do Estado, o Governador Requião
resolveu agir e saiu na frente dos demais Estados, com uma
ação inédita inovadora: convocou as
montadoras e demais forças representativas do Poder
Público Estadual, dos Empregadores e dos Trabalhadores
para comparecerem ao Palácio do Governo, para um
diagnóstico da crise: O da necessidade de tornar o
Paraná livre de acidentes do trabalho.
Após os debates acalorados, a representação
das montadoras não concordou com o diagnóstico
apontado nas diversas intervenções, por parte da
representação do Poder Público, como
também da representação dos
trabalhadores.
A proposta para buscar a verdade veio por parte do governo: A
criação de uma Força Tarefa, com
técnicos indicados por cada uma das
representações presentes ao Palácio do
Governo: DRT, MPT, Secretaria da Saúde, Secretaria do
Trabalho, Federação dos Metalúrgicos e
INSS.
O Governador intermediando a negociação para a
criação dessa Força Tarefa, sustentou que a
Constituição do Estado do Paraná lhe
assegura o direito de a qualquer momento suspender a
concessão dos benefícios assegurados às
montadoras, já que a Constituição Estadual
do Paraná proíbe o Governo do Estado conceder
incentivo fiscal e de crédito para empresas que causem
danos a saúde e segurança dos trabalhadores:
"Ao Estado é vedado celebrar contrato com empresa que
comprovadamente desrespeitem normas de segurança, de
medicina do trabalho e de prevenção do meio
ambiente" (Art. 31).
Em razão disso, a proposta foi aceita e apontados os
técnicos responsáveis pelo diagnóstico e
propostas solucionadoras da crise que se instalou no Estado do
Paraná. A composição do Grupo Tarefa
então criado ficou assim: Sergio Silveira de Barros - Eng.
Seg/DRT/PR; Cezar Benoliel - Eng. Seg. SESA-CEST; Dra Tania
Fiedler - Medica Perita /INSS; Mario Freitas - Eng Seg Sind
Metalúrgicos.
Em 21 de Dezembro de 2005, após minucioso levantamento das
condições a que os trabalhadores são
submetidos no meio ambiente de trabalho nas montadoras, o Grupo
Força Tarefa elaborou seu Relatório preliminar da
força tarefa do setor automotivo - diagnóstico e
indicativo de correções para as montadoras,
apontando a falta de investimento na prevenção de
acidentes, bem como as causas de tantas tragédias que tem
ocorrido, contrariando a legislação da
infortunística vigente no País, bem como o das
exigências constitucionais a que o trabalhador encontre no
seu direito ao trabalho a dignidade e não a morte e ou o
desenvolvimento de doenças ocupacionais.
Leia a íntegra do Relatório já
concluído pelo Grupo Tarefa costituiído:
"Relatório preliminar da força tarefa do setor
automotivo - diagnóstico e indicativo de
correções para as montadoras
GRUPO DE AUDITORIA E PREVENÇÃO
GRUPO DE RESGATE SOCIAL
I- INTRODUÇÃO
Iniciou-se os trabalhos da Força Tarefa do Setor
Automotivo no Estado do Paraná por
determinação expressa do Sr. Governador Roberto
Requião, em decorrência de denúncias
apresentadas por trabalhadores das empresas montadoras de
automóveis e suas fornecedoras. Os fatos, relatados pelo
Delegado Regional do Trabalho Geraldo Serathiuk e corroborados
pelo Sindicato dos Metalúrgicos, através de seu
Presidente Sérgio Butka e Diretor de Saúde
Núncio Mannala, foram então investigados pelas
instituições componentes da força tarefa,
cuja metodologia de ação baseou-se em
critérios estritamente técnicos e legais em
matéria de "Segurança e Saúde dos
Trabalhadores".
Fizeram parte da Força Tarefa o Ministério do
Trabalho e Emprego - DRT/Pr, o Instituto Nacional de Seguridade
Social - INSS, a Secretaria de Estado da Saúde -
SESA/CEST, a Secretaria de Estado do Trabalho, o Sindicato dos
Metalúrgicos da Grande Curitiba e as empresas montadoras
Volkswagen, Renault e Volvo. Considerando que as
reclamações concentravam 396 trabalhadores com
problemas de saúde ocupacional, com predomínio de
distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho
(DORT), planejou-se as ações em duas frentes
considerando por um lado a necessidade de inspecionar a
infra-estrutura e sua tecnologia, diagnosticar os processos
produtivos e métodos de trabalho das empresas, indicando
correções aos problemas encontrados e acompanhando
a implementação das correções. Esta
frente denominada de Grupo de Auditoria e
Prevenção, teve a coordenação da
DRT/Pr.
Os trabalhos referentes ao acolhimento, cadastramento e
avaliação clínica dos trabalhadores definiu
as ações do Grupo de Resgate Social , ficando sob a
coordenação da Secretaria da Saúde. Nesta
etapa coube ao Sindicato dos Metalúrgicos o chamamento dos
operários, à Secretaria do Trabalho o cadastramento
por formulário, que permita identificar as
condições sócio-econômicas, de
seguridade social, de ingresso na justiça; enfim como
está o indivíduo e sua família na
condição atual. Finalmente, a junta médica
composta por médicos do trabalho das
instituições e empresas citadas tem por
incumbência identificar as patologias e os nexos causais,
isto é, se a eventual doença tem
correlação com as condições
operacionais do trabalho. Foi atestado pelo Chefe do GBNIN do
INSS, Dr. Simplício Carlos Barboza, que a Junta
Médica terá autonomia para definir o encaminhamento
dos trabalhadores ao INSS visando à concessão do
benefício B 91 - Auxílio Doença
Acidentário, ou a revisão do B 31 - Auxílio
Doença, convertendo-o em B 91, se for o caso.
Em razão do grande volume de trabalho nos dois grupos,
estima-se que as atividades deverão ocorrer, pelo menos,
por seis meses. O Grupo de Auditoria e Prevenção
envidou esforços para que o governo estadual e a sociedade
paranaense pudessem ter no mais breve prazo uma visão do
que realmente acontece nas empresas. Realizou diversas
inspeções técnicas na Volkswagen, Renault e
Volvo.
PONTOS CRÍTICOS
Neste tópico registra-se o conjunto de irregularidades
observadas nas inspeções in loco e nos
diálogos realizados com trabalhadores e gerências.
São condições de infra-estrutura e de
organização do trabalho que favorecem a
permanência de riscos à segurança e
saúde dos trabalhadores.
Volkswagen:
Na estamparia e armação:
1. cantos vivos das peças. Apesar da
utilização de luvas de raspa de couro e aventais de
lona, 40% dos acidentes são devidos aos cortes em membros
superiores. Necessidade de treinamento quanto ao
manipulação de peças e melhor
delimitação de áreas de estocagem
próximos aos postos de trabalho.
2. nos postos de solda-ponto o trabalhador realiza diversos
movimentos com os braços, ombros e coluna vertebral,
deslocando-se continuamente em tomo da peça que é
soldada; o que representa um trabalho intenso ao final da
jornada. Os alicates de solda pesam em média 80 a 120 kgfe
são suspensos por talhas, permitindo ao operador diversos
movimentos horizontais, verticais e rotacionais da ferramenta, o
que poderá, em alguns casos, gerar um sobre-esforço
devido à possíveis posturas inadequadas. Realiza-se
em média 18 pontos de solda por peça; há l.
127 postos de trabalho na armação com a
presença de fagulhas e fumos metálicos.
3. necessidade de ajustamento dos mecanismos de assistência
e de suspensão (KBK) dos alicates e também das
alturas dos dispositivos de fixação das
peças a serem penteadas.
4. rearranjo e manutenção
(lubrificação) dos KBKs para evitar-se
esforços adicionais aos soldadores.
5. deficiência do sistema de exaustão localizada na
armação (pressão negativa insuficiente).
6. rodízio toma-se ineficaz, face à
especialização do trabalho. Ex: o penteador
só faz solda ponto; há necessidade de se ampliar o
conceito de polivalência funcional para permitir
efetivamente um rodízio de atividades
Na pintura:
7. deficiência do rodízio na cabine de pintura por
falta de mais trabalhadores.
8. nas atividades de aplicação de PVC, os trabalhos
são realizados com elevação de membros
superiores acima dos ombros e com posicionamento cervical
forçado. Embora haja rodízio funcional, há
necessidade de melhor avaliação
antropométrica dos trabalhadores do setor. O
rodízio esbarra também na
especialização do trabalho.
9. presença de trabalhadores terceirizados em
serviços de preparação de carrocerias.
Na montagem:
10. necessidade de ajustes nos equipamentos de assistência
de portas, de substituição de ferramentas manuais
(rebitadeiras e apertadeiras pneumáticas) por outras mais
leves.
11. adequar o compartimento de peças no farweck (carro
para transporte do chassis dos veículos).
12. reclamação generalizada de falta de
trabalhadores nos "times", adequação da velocidade
da linha às restrições do time de
montadores, falta de treinamento operacional adequado para os
absenteístas.
13. uso de óculos adequados em áreas de grande
iluminação (1000 a 1500 lux).
14. adequação da composição dos times
ao mix de produção e velocidade da linha. Envolver
os engenheiros de processo, os ergonomistas e delegados sindicais
para avaliar a performance e ritmo de produção.
Divulgar previamente aos trabalhadores o plano de
produção, como era anteriormente.
15. adequar o sequenciamento (posicionamento) dos veículos
a serem produzidos nas linhas de forma a não sobrecarregar
os times.
16. escadas dos restaurantes, entre o buffet e mesas, sem
corrimãos e fitas antiderrapantes nos degraus.
Renault
1. Sesmt fracionado, com os técnicos de segurança
subordinados à gerência de produção. A
engenharia de segurança está separada da medicina
do trabalho. Deve-se também reunir no Sesmt, a ergonomia e
a fisioterapia;
Na estamparia:
2. Ferramentas da prensa Schuler são ajustadas no
chão, obrigando os trabalhadores a posições
completamente anti-ergonômicas (try out);
Na carroceria:
3. baixa exaustão dos fumos metálicos das soldas e
deficiente renovação de ar;
4. colocação e retirada manual das peças
submetidas a soldagens;
5. falta de ajuste de altura para os dispositivos de
fixação das peças que receberão
solda-ponto.
6. falta de óculos de segurança para os pintores
nas câmaras de pintura que poderão se contaminar
pela serosa da vista;
7. problemas posturais na aplicação do mastique;
sugestão proposta é a extensão do bico de
mastique sendo fundamental o rodízio. Também
há reclamação dos operários quanto
à temperatura em dias quentes, nestes serviços,
sugerindo-se a colocação de ventiladores;
Na montagem:
8. equipamento de manipulação/assistência
para colocação de painel (cock pitch) deficiente
por obrigar o trabalhador a fazer contra peso com seu
próprio corpo para posicionar a peça no interior do
veículo.
9. transporte manual das portas na validação, final
de linha e retoque;
10. colocação do step manualmente;
11. falhas no acompanhamento da gestão em SST para os
terceirizados e fornecedores; terceirizados realizando atividades
fínalísticas (ex: 20 operários da MZ na
qualidade da carroceria, no pincelamento da tampa de
combustível, retoque e aplicação do
anti-ruído IFF);
12. retomo de trabalhadores, com mudança de
função, sem análise ergonómica
prévia do novo posto de trabalho;
Na fábrica de utilitários e de motores:
13. manipulador para montagem do volante com problemas;
14. terceirizados em atividades fim no ajuste das laterais,
retirada de óleo do chassis e inspeção de
qualidade
15. exaustão do teste dos motores deficiente;
Volvo
Na fábrica de motores e de cabines:
1. tubo do sistema de refrigeração - posicionamento
para aperto da flange é inadequado;
2. exaustão deficiente nas soldas do reforço no
final da linha de cabine;
3. reclamação quanto ao tipo de vestimenta usada
nas soldas - calor no verão e frio no inverno;
4. nas soldagens mig das cabines, há posturas
anti-ergonômicas;
Na pintura
5. Avaliar a implantação do adicional de
periculosidade para os preparadores de tinta;
6. aumentar a pressão positiva do ar mandado nas
máscaras dos pintores das cabines;
7. reduzir o calor intenso próximo das áreas de
pintura e secagem; regulagem do sistema de
ventilação.
8. atentar para relatório de denúncia anexo;
9. ginástica laborai restrita aos postos críticos;
não há nas linhas armação e montagem
de chassis. Deve-se envolver todos inclusive o pessoal da
administração.
IV- CONCLUSÕES
As montadoras automotivas do Estado do Paraná são
na realidade complexos industriais de alta tecnologia, de grande
contingente de trabalhadores e de grande aporte logístico
nos mais diversos setores que se possa imaginar. Constituem uma
cadeia produtiva industrial fortemente encadeada entre os
fabricantes/fornecedores de autopeças e a rede
distribuidora para os consumidores, sempre operando processos
sincronizados, no limite dos níveis de abastecimento,
buscando métodos de trabalho e de gestão que
vinculam melhores níveis de qualidade e maiores
indicadores de produtividade. É a lógica do
capitalismo, é a lógica da
globalização. Contudo, a dimensão humana,
elemento primordial da ordem civilizatória, deve se fazer
presente em todas as formas de relações sociais,
principalmente nas relações produtivas.
Assim, as empresas Volkswagen, Renault e Volvo devem buscar cada
vez mais as ações de segurança e
saúde do trabalhador, a exemplo de várias medidas
positivas verificadas nas três indústrias, colocando
o tema segurança e saúde ao mesmo nível de
prioridade das ações que determinam as vendas, a
produção, a qualidade e a produtividade, enfim a
imagem de seus produtos.
Para isso, é necessário abrir amplos canais de
comunicação entre os diversos níveis
hierárquicos da empresa, permitindo que os trabalhadores
possam se comunicar, serem compreendidos em suas mensagens e
principalmente que sejam atendidos em suas demandas. É a
construção da credibilidade nas
relações interpessoais e profissionais.
O respeito mútuo gera a co-responsabilidade e o
espírito de compromisso com os objetivos da empresa e os
direitos do trabalhador. Percebemos que boa parte dos problemas
nas montadoras se agravou por falhas na comunicação
no chão de fábrica, seja por medo dos trabalhadores
em se mostrarem adoecidos, ou talvez porque se sentiram na frente
de verdadeiros "sargentos" frios e zombeteiros com a
condição humana de não sermos robôs e
portanto sujeitos a desequilíbrios
fisiológicos.
O caminho da substituição do homem pela
máquina não é a saída para a
situação que se apresenta. Entendemos haver
espaço suficiente para colocar a questão de forma
clara e objetiva, sabendo preservar os postos de trabalho, hoje
tão importantes para as famílias e para o Estado do
Paraná. Como agenda mínima imediata, é
viável:
1- implantar amplo programa de ginástica laborai
obrigatório para todos os funcionários das empresas
com sessões no início da jornada e outra no meio do
2° período de trabalho, com dez minutos cada
sessão.
2- para os operários lotados em setores críticos,
habilitá-los para outras operações em
setores diferentes, melhorando o rodízio funcional.
3- promover ajustes ergonómicos imediatos nos postos de
trabalho.
4- realizar, em parceria com a força tarefa,
seminários internos sobre relação
interpessoal, psicologia do trabalho, assédio moral, entre
outros.
5- criar comité tripartite, para discussão dos
problemas e implementação de soluções
de forma rápida às questões ligadas a S
ST.
6- apresentar à Força Tarefa proposta de
ampliação do quadro de funcionários, visando
adequar o balanceamento da linha, os tempos de
produção e a ergonomia. Hoje quem define a
velocidade da produção é o mercado;
há necessidade também de ouvir o limite humano.
7- incrementar os programas sócio-culturais, educacionais
e de lazer junto à comunidade trabalhadora e suas
famílias.
Quanto aos trabalhos que são realizados pelo grupo de
resgate social toma-se
urgente duas propostas:
8- que todos os nomes indicados nas listas apresentadas sejam
cadastrados e avaliados pela junta médica. Excluir
trabalhadores sob qualquer critério será
penalizá-los, mesmo para aqueles que tenham se antecipado
buscando o foro judicial.
9- que o INSS se abstenha de dar alta ao trabalhador, cessando
seu benefício (B31 ou B91) até que esteja defina a
situação do trabalhador na junta médica.
6. aumentar a pressão positiva do ar mandado nas
máscaras dos pintores das cabines;
7. reduzir o calor intenso próximo das áreas de
pintura e secagem; regulagem do sistema de
ventilação.
8. atentar para relatório de denúncia anexo;
9. ginástica laborai restrita aos postos críticos;
não há nas linhas armação e montagem
de
chassis.
Deve-se envolver todos inclusive o pessoal da
administração.
W- CONCLUSÕES l
As montadoras automotivas do Estado do Paraná são
na realidade complexos industriais de alta tecnologia, de grande
contingente de trabalhadores e de grande aporte logístico
nos mais diversos setores que se possa imaginar. Constituem uma
cadeia produtiva industrial fortemente encadeada entre os
fabricantes/fornecedores de autopeças e a rede
distribuidora para os consumidores, sempre operando processos
sincronizados, no limite dos níveis de abastecimento,
buscando métodos de trabalho e de gestão que
vinculam melhores níveis de qualidade e maiores
indicadores de produtividade. É a lógica do
capitalismo, é a lógica da
globalização. Contudo, a dimensão humana,
elemento primordial da ordem civilizatória, deve se fazer
presente em todas as formas de relações sociais,
principalmente nas relações produtivas.
Assim, as empresas Volkswagen, Renault e Volvo devem buscar cada
vez mais as ações de segurança e
saúde do trabalhador, a exemplo de várias medidas
positivas verificadas nas três indústrias, colocando
o tema segurança e saúde ao mesmo nível de
prioridade das ações que determinam as vendas, a
produção, a qualidade e a produtividade, enfim a
imagem de seus produtos. Para isso, é necessário
abrir amplos canais de comunicação entre os
diversos níveis hierárquicos da empresa, permitindo
que os trabalhadores possam se comunicar, serem compreendidos em
suas mensagens e principalmente que sejam atendidos em suas
demandas. E a construção da credibilidade nas
relações interpessoais e profissionais. O respeito
mútuo gera a co-responsabilidade e o espírito de
compromisso com os objetivos da empresa e os direitos do
trabalhador. Percebemos que boa parte dos problemas nas
montadoras se agravou por falhas na comunicação no
chão de fábrica, seja por medo dos trabalhadores em
se mostrarem adoecidos, ou talvez porque se sentiram na frente de
verdadeiros "sargentos" frios e zombeteiros com a
condição humana de não sermos robôs e
portanto sujeitos a desequilíbrios
fisiológicos.
Em 21 de Dezembro de 05
FORÇA TAREFA
Sergio Silveira de Barros - Eng. Seg/DRT/PR
Cezar Benoliel - Eng. Seg. SESA-CEST
Dra Tania Fiedler - Medica Perita /INSS
Mario Freitas - Eng Seg Sind Metalúrgicos".
(*) Luiz Salvador é advogado trabalhista em Curitiba, em
Paranaguá e em Mogi das Cruzes, Cordenador Brasileiro do
Dep. de Saúde do trabalhador da JUTRA, Secretário
Geral da ALAL, Comentarista de Direito do Trabalho da Conjur,
Diretor, da ABRAT/ SASP, membro integrante do Corpo
Técnico do Diap. luizsalvador@defesadedireitos.com.br/
www.defesadotrabalhador.com.br
Fonte:
http://www.fazer.com.br/layouts/jutra/default2.asp?cod_materia=1821,
às 27/12/2005 21:33 h)
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