FERIADO DE 9 DE JULHO EM SÃO PAULO

Enviado por Adir de Souza <sintespar@yahoo.com.br> em 09/07/2009, 12:20

FERIADO DE 9 DE JULHO

Por que o feriado de 9 de julho se restringe apenas ao estado de São Paulo? O que motivou as denominações de famosas avenidas da capital como, a 9 de julho e a 23 de maio, e de ruas, com o nome de MMDC? O que elas têm em comum? É que ambas tem a ver com a Revolução Constitucionalista de São Paulo de 1932.
Em 1932 São Paulo uniu-se em torno de uma bandeira chamada democracia - desejava uma Constituinte para arrumar as leis de um país que dava a impressão de marchar para uma ditadura com Getúlio Vargas no poder. Junto com uma causa tão nobre, no entanto, havia problemas na área social, os empresários paulistas ficaram irritados com o aumento de 5% dado pelo Governo Federal, aos salários dos trabalhadores, também não viam com bons olhos a idéia de Vargas legalizar os sindicatos.
O drama político dos paulistas de 1932 era este: avançava-se no calendário da democracia, mas atrasava-se o relógio da chamada questão social porque prejudicava os trabalhadores.
A sigla MMDC teve origem na Praça da República, no dia 23 de maio de 1932 quando morreram quatro estudantes (Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo) em confronto com militares e civis favoráveis à Vargas. A MMDC era uma organização civil clandestina onde se usavam codinomes e se fornecia treinamento militar.
Nesse ambiente, em que a violência era um dado cotidiano das disputas políticas, nada mais natural do que um grupo de cidadãos se reunir e maquinar um plano para derrubar o presidente da República.
No país que produziria a guerra civil de 1932, menos de 20% da população podia votar, o que significa que os presidentes eleitos eram personalidades simplesmente ignoradas pela maioria dos brasileiros.
Os paulistas iniciaram a revolta no dia 9 de julho de 1932 sob o comando do coronel Euclides de Figueiredo. Mas, os reforços prometidos pelos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso não vieram, e São Paulo perdeu a guerra. Em quase três meses de batalhas morreram pelo menos 830 brasileiros - 630 paulistas e 200 soldados federais. Outros dados que contribuíram para o desfecho da guerra foi a superioridade militar das forças federais que dispunham de 250 canhões e 24 aviões, contra 44 canhões e sete aviões paulistas.
Setenta e cinco anos depois, o 9 de julho de 1932 deixou marcas de vários tipos. Apenas na Grande São Paulo, por exemplo, existem quatro ruas chamadas MMDC, o 23 de maio virou nome da avenida que liga o centro ao Parque Ibirapuera, onde está instalado o obelisco dedicado às vítimas da guerra - existem ruas com esse nome em Santo André e São Bernardo. Ficaram outras marcas, porém a chamada Revolução Constitucionalista de 1932 foi objeto de diferentes interpretações: para uns objetivou a reconstitucionalizaçã o do país; para outros, foi uma tentativa dos paulistas de reconquistar o Governo Federal. Luta pela democracia para uns, defesa de privilégios para outros...
Seja qual for a sua interpretação a respeito desse assunto, o importante é ressaltar a força e a coragem do povo paulista.


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