PAÍS EMERGENTE, EDUCAÇÃO SUBMERSA...

Enviado por Adir de Souza <sintespar@yahoo.com.br> em 21/07/2009, 11:03

PAÍS EMERGENTE, EDUCAÇÃO SUBMERSA...
Marcos Bagno - Abril de 2009

A Coréia do Sul tem uma população 7 vezes menor que a dos Estados
Unidos. No entanto, a cada ano, ela forma o mesmo número de
engenheiros que os EUA. Num programa internacional de avaliação,
os sul-coreanos ficaram com o 1o lugar em solução de problemas,
1o em leitura, 3o em matemática e 7o em ciência. Em 1945, a taxa
de alfabetização no país era de 22%, hoje é de 99%. É o que
acontece quando uma nação mobiliza todos os seus recursos em
favor da educação. Corta.

Em 2007, divulgou-se o INAF (Indicador de Analfabetismo
Funcional): 75% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são incapazes
de ler e interpretar adequadamente um texto simples. Se somos
hoje quase 200 milhões, significa que 150 milhões são analfabetos
funcionais, isto é, pessoas que tiveram acesso à escolarização
mas não desenvolveram plenamente as habilidades de leitura (e de
cálculo também), o equivalente às populações somadas da França e
da Alemanha.

Esses dados não seriam suficientes para escandalizar nossas
classes dirigentes? Não. A história da nossa formação social
mostra que, há meio milênio, as classes dirigentes brasileiras
não só não se escandalizam como tiram o máximo proveito desse
abismo social que separa o pequeno círculo dominante da
monumental maioria de classes subalternas. Os dados do
analfabetismo funcional "coincidem" com os da distribuição
(distribuição?) de renda em nosso país, a mais injusta do
planeta.

O desenvolvimento econômico do Brasil nos últimos anos e sua
crescente importância no panorama internacional - comprovada pela
sigla BRIC, iniciais dos "países emergentes" - em nada se fazem
acompanhar de um desenvolvimento social que mereça o mesmo
destaque. Somos uma nação onde o elemento africano tem um
profundo impacto na nossa história musical, religiosa, culinária,
afetiva, linguística etc., mas continuamos profundamente
racistas.

Somos o país em que as desigualdades de salários entre homens e
mulheres é das maiores do mundo. Temos um genocídio diariamente
praticado contra os adolescentes pobres, negros em sua maioria,
eliminados por traficantes e pela polícia. Um sistema carcerário
que arrancou lágrimas do observador da Anistia Internacional, que
o qualificou de "inferno". E, é claro, uma forte liderança entre
os países mais corruptos.

Mais sinistro é comprovar, como as pesquisas vêm mostrando, que a
maioria do nosso professorado também se inclui naquele apavorante
índice de analfabetismo funcional.

Procurados hoje em dia pelos estudantes de origem mais humilde e
de baixíssimo letramento, os cursos de licenciatura continuam
desconhecendo a realidade social de seu alunado, e vão diplomando
milhares de pessoas sem habilitações mínimas para exercer a
profissão docente.

Já coletei centenas de textos escritos por professores da rede
pública do Distrito Federal (maior renda per capita do país) e me
surpreendi com sua quase absoluta incapacidade de escrever vinte
linhas sobre o próprio ofício.

Enquanto nossas elites governantes ficam se divertindo com BRIC
pra lá e G-20 pra cá, incomodadas apenas com as altas e baixas
das bolsas, 75% dos brasileiros se veem desde sempre excluídos de
qualquer progresso real no plano da cidadania. É triste viver num
país emergente com uma educação submersa...




Comentários de Adir de Souza[



Powered by Free PHP message board 1.3 from PHPJunkYard - Free PHP scripts