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Carpinteiro soterrado em obra na Asa Sul é enterrado
Enviado por Marco Antonio de Sousa Souza <masdireito@gmail.com> em 07/01/2010, 12:08
Carpinteiro soterrado em obra na Asa Sul é enterrado
O enterro foi ontem. Raimundo Rodrigues da Costa Tinha 56 anos e passou a fazer parte de uma triste estatística: em 2009, no DF, foram registrados 42 acidentes e 15 mortes na construção civil.
Na laje de um prédio de 20 andares, operários se arriscam sem cinto de segurança. No quarto andar de outro prédio, um operário trabalha sem capacete e luvas de proteção. O cinto de segurança não está preso. Sozinho, ele carrega a lata de tinta se equilibrando no andaime.
O mestre-de-obras Erasmo Carlos Gonçalves trabalha há 20 anos na construção civil. Ele já sofreu um acidente, mas não ficou com sequelas. Erasmo diz que é comum trabalhar sem equipamentos de segurança.
“É difícil porque, às vezes, você trabalha num ambiente que eles falam que vão trazer o equipamento hoje, amanhã e só vai prolongando. E tem que trabalhar, pois você tem que ganhar o pão de cada dia”, conta Erasmo.
Esta semana, um operário morreu em uma obra na 115 Sul. De acordo com os bombeiros, ele estava dentro de uma vala para retirar as placas da parede, que já tinha sido concretada. Foi quando a parede oposta, que era de barro, desabou no operário. Raimundo Rodrigues da Costa morreu na hora. O acidente poderia ter sido evitado.
“Nós identificamos que existe uma falha no escoramento, que seria para proteger os funcionários no caso de um desmoronamento de terra”, afirma o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Rogério Santos.
Esses acidentes têm sido frequentes no Distrito Federal. Em setembro do ano passado, o engenheiro Paulo Menezes morreu numa obra em Águas Claras. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores, foram registrados 42 acidentes com 15 mortes na construção civil.
Em 2009, 137 empresas foram notificadas pelo Ministério Público do Trabalho, que entrou com uma ação judicial contra 12. A maioria, grandes construtoras do DF que tinham riscos graves e iminentes de acidentes de trabalho.
“O Ministério Público aciona judicialmente, pede o cumprimento de toda a legislação relacionada à saúde e segurança do trabalhador. E pede, inclusive, danos morais coletivos para riscos que expõe os trabalhadores e envolvem toda a sociedade”, esclarece a procuradora Daniela Varandas.
Denúncias sobre a falta de segurança no trabalho podem ser feitas na Procuradoria do Ministério do Trabalho, no telefone 3340-7989. Não precisa se identificar.
Mais um acidente
No fim da manhã dessa quarta-feira, dia 6 de janeiro, teve outro acidente de trabalho na construção civil. Foi na Quadra 4 do Setor de Autarquias Sul. O operário Luiz Gonzaga de Jesus Rocha caiu de um andaime do quarto andar da obra. Ele foi socorrido e levado ao Hospital de Base pelo Corpo de Bombeiros, com um corte na cabeça e escoriações pelo corpo. Ainda não há informações de como foi o acidente.
Kenzô Machida / Emerson Soares
-- Atenciosamente,
Marco Antonio de Sousa Souza
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